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25 de Abril de 1974 é um marco
histórico que representa para os
portugueses uma viragem, sobretudo, de mentalidade que se perpetua,
todos os dias, na maneira de ser, ver e sentir de cada um.
Em
25 abriu-se um espectro infinito de
novas perspectivas, processo hoje ainda em curso e que a arte
produzida em Portugal não poderia
deixar de espelhar. E nesta arte a música.
Fui
desafiado por um ouvinte, o RAA, a tocar hoje músicas de
artistas que na época traduziram o espírito de Abril e
aquilo que se pretendia ser no futuro e deixar para o passado.
Porém, de certa forma empurrado pelas restrições
em passar estas músicas em um podcast, mas sobretudo para não
perder a identidade do GavezDois, fui buscar no mercado de música
independente, de distribuição livre, o outro lado desta
linha: partindo de José Afonso, Sérgio Godinho ou José
Mário Branco, onde chegamos hoje, indelevelmente
marcados por esta pequena revolução.
E descobri
coisas boas e más, como sempre: boas porque a qualidade sonora
e técnica do que ouviremos é excepcional, ao melhor
nível do que se faz no mundo, indiscutivelmente. Más
porque, ao que parece, uma das característica comuns dos novos
artistas portugueses que pretendem de alguma forma obter sucesso com
música feita em Portugal, é esquecer da língua
portuguesa, ao contrário do que fez o Madredeus.
Mas
carregam todas as músicas as marcas deixadas por 25 de Abril
se ele foi, sobretudo, uma abertura do corpo e da alma deste
gigantesco pequeno país ao pensamento universal.
Quando
cheguei aqui em Abril de 1988 ainda senti no ar o cheiro de Abril de
1974. As marcas mais fortes daquele processo revolucionário já
se dissipam como a fumaça, mas o o
espírito permanece e se amplia. Ouça.